"A leitura do mundo precede a leitura da palavra." "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem." "Língua Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódias E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade (...)"

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PROCURA-SE UM AMIGO


Pedro Block
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo, saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então, sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Não é preciso que seja de primeira mão nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para se ter a consciência de que ainda se vive.

01. De acordo com o texto, o autor considera amigo alguém que

A) não se preocupa com os outros.
B) despreza sempre o próximo.
C) sabe ouvir.
D) desrespeita a dor do próximo.

E) precisa ser vulgar.

02. Com o trecho “Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.”, o autor quer dizer que

A) todo amigo é tristonho.
B) apenas os amigos são solitários.
C) amigos não confortam, ao contrário, incomodam.
D) amigo é todo aquele que alegra e conforta o outro.
E) o mundo não precisa de amigos.

03. Com o trecho “Para não se viver debruçado no passado...”, o autor declara que

A) o homem ignora o passado.
B) o futuro pertence , apenas, a Deus.
C) nada é mais importante do que o momento presente.
D) viver o presente pensando no futuro é o que importa.
E) o homem não deve recordar muito o passado.


04. Em qual das alternativas o termo em parênteses se constitui em SINÔNIMO do termo sublinhado ?

A) “Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.”( lamentar)
B) “Para se viver debruçado no passado...” (rejeitado)
C) “Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando...” ( aperte)
D) “Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.” ( tagarelar)
E) “Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer.” ( tranqüilizar)

05. Assinale a alternativa cujo termo sublinhado é ANTÔNIMO da palavra LEVANTAR-SE.

A) “Deve gostar de ruas desertas.”
B) “...de mato depois da chuva, de se deitar no capim.”
C) “... nem é imprescindível que seja de segunda mão.”

D) “Deve ter um ideal e medo de perdê-lo...”
E) “Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer...”

06. Qual das palavras abaixo é SINÔNIMO do termo sublinhado no trecho “Precisa saber falar e calar, sobretudo, saber ouvir.”?
A) Principalmente.
B) Sempre.
C) Jamais.
D) Eventualmente.
E) Às vezes.

Marisa Monte - O Xote das Meninas - Ao Vivo em Bruxelas

Atividade com música

O XOTE DAS MENINAS / Canta Marisa Montes/

(ZÉ DANTAS E LUIZ GONZAGA)

Mandacaru quando fulora na seca
É um sina que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjoa da boneca
É sinal de que o amor
Já chegou ao coração
Meia comprida não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado não quer mais vestir gibão

Ela só quer só pensa em namorar
De manhã cedo já ta pintada
Só vive sispirando sonhando acordada
O pai leva ao doutor a filha adoentada
Não come nem estuda não dorme não quer nada
Ela só quer só pensa em namorar

Mas o doutor nem examina, chamando o pai de lado
Lhe diz logo em surdina,
O mal é da idade e que pra tal menina
Não há um só remédio em toda a medicina
Ela só quer só pensa em namorar.

VOCABULÁRIO

XOTE: Ritmo típico do nordeste
MANDACARU: Certo tipo de cacto
FULORA: Forma popular de se dizer floresce
GIBÃO: Espécie de colete de couro usado por vaqueiros para se proteger dos espinhos

Sobre o texto..

1) Qual é a comparaçao que o texto faz no 1º parágrafo entre mandacaru e a menina?

2) Quais sao as mudanças que ocorreram no comportamento da menina?

3) Explique com suas palavras a frase“Só vive suspirando sonhando acorda”.

Poduçao escrita.

Utilizando a frase do texto “O pai leva ao doutor a filha adoentada”
Em pares escreva um diálogo entre o pai e o médico.

Livro é vida!

Livro: A troca


“Pra mim. Livro é vida; desde que eu era muito pequena, os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede; deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
E quando a casinha ficava pronta eu espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntima a gente ficaa, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas.
Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação. Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que- no meu jeito de ver as coisas- é a troca da própria vida, quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava. Mas como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra- em algum lugar- uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.

Lygia Bojunga Nunes
(em livro – Um encontro com Lygia Bojunga Nunes. Rio de Janeiro: Agir, 1988)
Vocabulário:

*esgaravatar: ato de remexer, escarafunchar.
• voracidade: relativo ao ato de devorar, consumir

01. “...Desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.”

Os termos destacados remetem, respectivamente, a tudo isto, exceto:

A) concreto x abstrato
B) forma x conteúdo
C) dinamismo x passividade
D) manipulação x elaboração
E) lazer x lazer

Resposta: Letra C

Justifique o ítem assinalado de acordo com o texto.

Resposta: Não há passividade no texto.

02. “...de tanto olhar pras paredes.”

O fato acima teve como conseqüência a descoberta do mundo.
Explique essa relação:

Resposta: De tanto ler os livros ele foi descobrindo o mundo.

03. “Pra mim livro é vida.”

Livro só não está relacionado a:

A) assimilação imediata
B) voracidade intelectual
C) ausência de fronteiras
D) promoção de lazer
E) possibilidade de interação

Resposta: letra A

Justifique o item assinalado.
Resposta: Ler leva tempo.

04. Observe:
“Nunca esgaravatei a terra nem farejei ninhos, nem joguei pedras nos passarinhos. Mas os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu estábulo e meu campo; a biblioteca era o mundo colhido num espelho; tinha a sua espessura infinita, a sua variedade e a sua imprevisibilidade.”
Jean Paul Sartre

A concepção de livro para Lygia Boyunga e jean Paul Sartre está relacionada a tudo isto, exceto:

A) liberdade
B) contestação
C) proteção
D) companheirismo
E) imaginação

Resposta: Letra B

Justifique o item assinalado.

Resposta: Não se contesta nada, apenas se mencionam as coisas positivas do livro.


05. Use os argumentos da autora para exemplificar as afirmações destacadas:

A) O livro era fonte de alimento à criatividade e um meio de alargar os horizontes.

Resposta: 6º parágrafo.

B) A autora/excritora possibilita a outra criança “o ciclo” por que passou.

Resposta: final do 7º parágrafo.

06. Observe este fragmento de Vinícius de Morais:

Operário em Construção

“De fato, como podia
um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário...”


A partir dos dois últimos versos, explique o título do texto lido: “Livro a troca”

Resposta: O livro forma o leitor, que, por sua vez, é a razão de o livro existir.