"A leitura do mundo precede a leitura da palavra." "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem." "Língua Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódias E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade (...)"

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Inscrições para o Enem 2011 começam dia 23/05, às 10h


O Inep divulgou as datas de inscrição do Enem 2011, começará no dia 23/05, às 10h e terminará dia 10/06, às 23h59.
Lembrando, uma informação importantíssima: as inscrições só serão feitas pela internet.
A inscrição custará R$35,00 e os alunos de escola pública poderão pedir isenção da taxa, assim como foi feito nos outros anos.
Se inscreva e sucesso!

http://www.inep.gov.br/enem


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Interpretação de Texto

MÚSICA: Vilarejo

COMPOSIÇÃO: Marisa Monte, P.Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes


Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

1. O texto fala sobre o que basicamente?

2. Como você acha que seja viver em um lugar como esse? Por quê?

3. Observe os versos e responda de acordo com eles:

“Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão”

Copie em seu caderno apenas as alternativas que são corretas:

a) O lugar tem um clima muito agradável
b) O clima não dá para ser definido
c) A vida é agitada e não podemos admirar a natureza
d)Viver lá nos permite contemplar a natureza, o pôr do sol ... até da nossa casa, ou seja, lá a natureza está em todo lugar

4. Observe os versos e responda verdadeiro ou falso:

“Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá”

De acordo com esse trecho a idéia que nos é transmitida é de que lá é um lugar onde há justiça, por isso não é necessário perder a calma, o equilíbrio, a paz ... porque tudo lá é justo.

5. Recopie os versos que falam e nos dão a idéia de que:

a) Não há problemas com alimentação; não falta comida
b) Os sonhos são possíveis de virar realidade
c) É um terra sem preconceitos
d) Não há problemas com violência
ROMANTISMO BRASILEIRO – 1ª GERAÇÃO

Canção do exílio
Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

A “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, texto-matriz, foi produzida no primeiro momento do Romantismo Brasileiro, época na qual se vivia uma forte onda de nacionalismo, que se devia ao recente rompimento do Brasil-colônia com Portugal. O poeta trata, neste sentido, de demonstrar aversão aos valores portugueses e ressaltar os valores naturais do Brasil.

Apesar de ser um texto de profunda exaltação à pátria, o poema possui total ausência de adjetivos qualificativos. São os advérbios “lá, cá, aqui” que nos localizam geograficamente no poema. Formalmente, o poema apresenta redondilhas maiores (sete sílabas em cada verso) e rimas oxítonas (lá, cá sabiá), menos na segunda estrofe.

Quando Gonçalves Dias escreveu este poema, cursava Faculdade de Direito em Coimbra, em Julho de 1843. Vivia, desta forma, um exílio físico e geográfico. Tradicionalmente, esta é a situação do exílio.

O texto é estruturado a partir do contraste entre a paisagem europeia e a terra natal - jamais nominada, sempre vista com o olhar exagerado de quem está distante e, em sua saudade, exalta os valores que não encontra no local de exílio. A construção patética (de pathos, comoção) é feita pela repetição das idéias expostas nos versos iniciais e pela súplica dos últimos versos.

LIVRO REÚNE CHARGES DE SUPER-HERÓIS DECADENTES


Um livro publicado na Itália reúne 40 caricaturas dos mais conhecidos super-heróis de revistas em quadrinhos, com um detalhe: o ilustrador Donald Soffritti imaginou-os todos já na meia-idade ou velhice. "Superheroes Decadence", da editora Comma 22, custa 10 euros (cerca de R$ 27,00) e começou como um projeto no blog do artista italiano.

De acordo com Soffritti, graças ao apelo popular, as caricaturas viraram livro, "revelando" barriguinhas, maus hábitos, vista cansada e mostra até alguns dos heróis em cadeiras de roda. Entre os personagens retratados nas caricaturas, estão Batman e Robin, Super-Homem, Elektra e vários outros. O artista de Bolonha continua a publicar suas caricaturas na internet.
http://www.bbcbrasil.com.br/, acessado em 28/07/2009.

1. O objetivo desse texto é

A) divulgar um livro que ridiculariza os heróis.
B) exibir o apelo popular de caricaturas de heróis.
C) mostrar como os heróis tornam-se decadentes.
D) revelar que o autor publicará novas caricaturas.

Café faz bem

A cafeína é um composto químico de fórmula C8H10N4O2, encontrado em certas plantas e usado para o consumo em bebidas, na forma de infusão, como estimulante. Uma xícara média de café contém, em média, cem miligramas de cafeína. Sua rápida ação estimulante faz dela poderoso antídoto à depressão respiratória, em consequência de intoxicação por drogas como morfina e barbitúricos.

www.google.com.br/anounce.cafeina acessado em 29/06/2008
2. No desenvolvimento desse texto, em relação ao café, o autor:

A) define a sua substância química.
B) indica as formas variadas de tomá-lo.
C) mostra os males decorrentes de seu uso.
D) sugere a diminuição de seu consumo.

3. Nesse texto, as orações “encontrado em certas plantas e usado para o consumo em bebidas” têm a função de:

A) definir um termo que será apresentado no texto.
B) exemplificar as características da palavra cafeína.
C) explicar um termo da oração, apresentado anteriormente.
D) indicar o agente da ação expressa pelo verbo ser.

4. Leia este texto:

O caipira estava passando na porta da casa de um amigo, quando o avistou lá dentro, vendo tevê.
– E aí, Raimundo! Firme?
– Não, cumpadi. Por enquanto tá na novela.

Almanaque Brasil de Cultura Popular, n. 58, março/2006

5. Nesse texto, o trecho em que se empregou a norma padrão é

A) ´Não, cumpadi.´
B) ´passando na porta.´
C) ‘ tá na novela´.
D) ‘quando o avistou’.

6. Em que alternativa aparecem dois substantivos do gênero masculino?

a) cal, dinamite
b) lança-perfume, champanha
c) alface, telefonema
d) gengibre, omoplata
e) formicida, sentinela

7. Assinale a alternativa em que está correta a forma plural:

a) júnior – júniors
b) mal – maus
c) fuzil – fuzíveis
d) gavião – gaviães
e) atlas – atlas

8. Nas séries de palavras a seguir, há uma em que todos os substantivos, apesar de terminados em a, são masculinos:

a) banana, cura, poeta, profeta
b) profeta, omoplata, corneta, nauta
c) profeta, nauta, agiota, pirata
d) pampa, praça, cura, corneta
e) banana, cura, profeta, pirata

9. Substantivo no grau normal:

a) animalzinho
b) carinho
c) peixinho
d) cachorrinho
e) bebezinho

10. No trecho “os jovens estão mais ágeis que seus pais”, temos:

a) um superlativo relativo de superioridade;
b) um comparativo de superioridade;
c) um superlativo absoluto;
d) um comparativo de igualdade.
e) um superlativo analítico de ágil.

11. Sabe-se que a posição do adjetivo, em relação ao substantivo, pode ou não mudar o sentido do enunciado. Assim, nas frases “Ele é um homem pobre” e “Ele é um pobre homem”.

a) 1ª fala de um sem recursos materiais; a 2ª fala de um homem infeliz;
b) a 1ª fala de um homem infeliz; a 2ª fala de um homem sem recursos materiais;
c) em ambos os casos, o homem é apenas infeliz, sem fazer referência a questões materiais;
d) em ambos os casos o homem é apenas desprovido de recursos;
e) o homem é infeliz e desprovido de recursos materiais, em ambas.

Interpretação de texto

QUE PAÍS...

Dissecando os gastos públicos no Brasil, um economista descobriu barbaridades no Orçamento da União deste ano. Por exemplo:
Considerada a despesa geral da Câmara, cada deputado federal custa ao país, diariamente, R$ 3.700. Ou R$ 1,3 milhão por ano.
Entre os senadores, a loucura é ainda maior, pois o custo individual diário pula para R$ 71.900. E o anual, acreditem, para R$ 26 milhões.
Comparados a outras ''rubricas'', os números beiram o delírio. É o caso do que a mesma União despende com a saúde de cada brasileiro - apenas R$ 0,36 por dia.
E, com a educação, humilhantes R$ 0,20.

Ricardo Boechat, JB, 6/11/01

01 Considerando o sentido geral do texto, o adjetivo que substitui de forma INADEQUADA os pontos das reticências do título do texto é:

A) autoritário;
B) injusto;
C) estranho;
D) desigual;
E) incoerente.

02 O gerúndio da primeira frase pode ter como forma verbal desenvolvida adequada ao texto:

A) embora dissecasse;
B) porque dissecou;
C) enquanto dissecava;
D) já que dissecou;
E) logo que dissecou.

03. O termo ''gastos públicos'' se refere exclusivamente a:

A) despesas com a educação pública;
B) pagamentos governamentais;
C) salários da classe política;
D) gastos gerais do Governo;
E) investimentos no setor oficial.

04. A explicação mais plausível para o fato de o economista citado no texto não ter sido identificado é:

A) não ser essa uma informação pertinente;
B) o jornalista não citar suas fontes de informações sigilosas;
C) evitar que o economista sofra represálias;
D) desconhecer o jornalista o nome do informante;
E) não ser o economista uma pessoa de destaque social.

05 O item do texto em que o jornalista NÃO inclui termo que indique sua opinião sobre o conteúdo veiculado pelo texto é:

A) ''...um economista descobriu barbaridades no Orçamento da União...'';
B) ''Entre os senadores, a loucura é ainda maior...'' ;
C) ''E com a educação, humilhantes R$ 0,20'';
D) ''...os números beiram o delírio.'';
E) ''...cada deputado federal custa ao país, diariamente, R$3.700.''.

06 O Orçamento da União é um documento que:

A) esconde a verdade da maioria da população;
B) só é consultado nos momentos críticos;
C) mostra a movimentação financeira do Governo;
D) autoriza os gastos governamentais;
E) traz somente informações sobre as casas do Congresso.

07 Os exemplos citados pelo jornalista:

A) atendem a seu interesse jornalístico;
B) indicam dados pouco precisos e irresponsáveis;
C) acobertam problemas do Governo;
D) mostram que os gastos com a classe política são desnecessários;
E) demonstram que o país não dispõe de recursos suficientes para as despesas.

08 ''Considerada a despesa geral da Câmara, cada deputado federal custa ao país, diariamente, R$3.700.''; o cálculo para se chegar ao custo diário de cada deputado federal foi feito do seguinte modo:

A) a despesa geral da Câmara foi dividida pelo número de deputados federais;
B) a despesa com os deputados federais foi dividida igualmente por todos eles;
C) os gastos gerais da Casa foram repartidos por todos os funcionários;
D) os gastos da Câmara com os deputados foram divididos pelo seu número total;
E) as despesas gerais da Câmara foram divididas entre os deputados federais.

09 Na oração ''Ou R$ 1,3 milhão por ano.'':

A) o termo milhão deveria ser substituído por milhões;
B) a conjunção ou tem valor de retificação do termo anterior;
C) o signo $ se refere ao dólar americano;
D) o termo milhão concorda com a quantidade da fração;
E) o numeral 1,3 é classificado como multiplicativo.

10 ''Comparados a outras 'rubricas', os números beiram o delírio.''; o comentário correto sobre o significado dos elementos desse segmento do texto é:

A) o termo rubricas, escrito entre aspas, tem valor irônico;
B) o delírio refere-se aos gastos ínfimos com saúde e educação;
C) as outras rubricas referidas no texto são a educação e a saúde;
D) comparados com a educação, os gastos citados são humilhantes;
E) os números referem-se à grande quantidade de deputados e senadores.

GABARITO


01-A 02-C 03-D 04-A 05-E 06-C 07-A 08-A 09-D 10-C



sexta-feira, 6 de maio de 2011

O professor de hoje não pode só reproduzir sua formação


Por Içami Tiba

É como um médico cirurgião que não poderia nem deveria operar ninguém se não tivesse competências específicas como conhecimento (não conhece as técnicas cirúrgicas mais adequadas e atualizadas, a patologia a ser operada, etc.), comprometimento (não se incomodar com a vida do paciente, largar todo o material cirúrgico na barriga da pessoa que está sendo atendida, tirar as luvas e avental e jogar sobre a mesa cirúrgica e sair correndo porque está na hora da sua saída), responsabilidade (de ter consciência da cirurgia que faz), disciplina (terminar o que começou), ética (respeitar tanto o paciente quanto a si mesmo) etc.

Assim também, de um professor espera-se competências específicas para que seus alunos sejam bem sucedidos no aprendizado. Tomo a liberdade de listar aqui as seis características que o docente ideal para o século 21 deve ter, segundo texto publicado na revista Nova Escola, da editora Abril:

•ter uma boa formação;

•usar novas tecnologias a favor dos conteúdos;

•atualizar-se em novas técnicas de ensinar;

•trabalhar bem em equipe;

•planejar e avaliar sempre: observar para reorientar o trabalho;

•ter atitudes e posturas profissionais: todo aluno pode aprender.

Aponto, abaixo, mais exemplos de como melhorar a performance do professor com os alunos em sala de aula:

•7. aquecer o aluno para receber a aula. Um aluno raramente tem sua mente aquecida para receber a aula e frequentemente está totalmente desligado. Cabe ao professor fazer um warming up, aquecimento, como qualquer esporte ou aperitivo que prepara o corpo para a ginástica ou refeição, basta que o professor pergunte: quem se lembra da última aula? Quem responder ganha um ponto, pois este aluno favorece o aquecimento de outras mentes, até as respostas começarem a pipocar. Pronto: as mentes estão aquecidas!

•8. mental-breaks: alunos não mais suportam ficar 50 minutos em aula. Até adultos precisam de coffee-breaks. Em uma aula pesada, o professor poderia abrir mental-break oferecendo 5 minutos para os alunos trocarem ideias entre si sobre o que foi dado ou, melhor ainda, um aluno pergunta e outro responde, numa competição de somar pontos quem mais souber.

•9. um aluno escolhido ou voluntário faz um resumo final da aula, também ganhando um ponto. A aula não termina sem o resumo.

•10. o professor deve fazer um teaser (recurso do marketing para estimular o “comprador” através de ofertas interessantes fazendo o aluno interessar-se pela matéria da próxima aula). É como as cenas do próximo capítulo das novelas e seriados de TV ou trailler dos filmes que chegarão aos cinemas.

•11. o professor tem que ensinar os pais a cobrarem diariamente as lições de casa. Os filhos têm que fazer um resumo de cada aula assistida, usando 150 palavras do próprio vocabulário e enviar aos pais como conseguirem: seja via mensagens de computador, torpedo, e-mail etc. Tiveram três aulas? Os pais têm que receber três resumos. Caso contrário, estarão sustentando a ignorância que custa muito mais caro do que o conhecimento.

Os itens 7, 8, 9, 10 e 11 já constam do meu novo livro “Pais e Educadores de Alta Performance”, a ser lançado em julho de 2011 pela Integrare Editora.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Vergonha do sete

No século XIX, Victor Hugo se negou a apertar a mão de D. Pedro II, porque era o Imperador de um país que convivia naturalmente com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da 7ª posição entre as potências econômicas mundiais, convivendo com total naturalidade com a tragédia social ao redor. Estamos à frente de todos os países do mundo, menos seis deles, no valor da nossa produção, mas não nos preocupamos por estarmos, segundo a Unesco, em 88º lugar em educação.
Somos o sétimo no valor do PIB, mas ignoramos que, segundo o FMI, somos o 55º país no valor de renda per capita, fazendo com que sejamos uma potência habitada por pobres. Mais grave: não vemos que, segundo o Banco Mundial, somos o 8º pior país do mundo em termos de concentração de renda, melhor apenas do que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.
Somos a sétima economia do mundo, mas de acordo com a Transparência Internacional estamos em 69º lugar na ordem dos países com ética na política por causa da corrupção. A nota ideal é 10, o Brasil tem nota 3,7.
Somos a sétima potência em produção, mas, quando olhamos o perfil da produção, constatamos que há décadas exportamos quase o mesmo tipo de bens e continuamos importando os produtos modernos da ciência e da tecnologia.
Somos um dos maiores produtores de automóveis e temos uma das maiores populações de flanelinhas fora da escola.
Um relatório da Unesco divulgado em março mostra que a maioria dos adultos analfabetos vive em apenas dez países. O Brasil é um deles, com 14 milhões; com o agravante de que, no Brasil, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados, do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais.
Somos a sétima economia e não temos um único prêmio Nobel. Segundo um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que pesquisou 46 países, o Brasil fica em último lugar em percentagem de jovens terminando o ensino médio. Estamos ainda piores quando levamos em conta a qualificação necessária para enfrentar os desafios do século XXI. Segundo a OIT, a remuneração de nossos professores está atrás de países como México, Portugal, Itália, Polônia, Lituânia, Látvia, Filipinas; a formação e a dedicação deles provavelmente em posição ainda mais desfavorável, por causa da péssima qualidade das escolas onde são obrigados a lecionar. Somos a 7ª potência econômica, mas a permanência de nossas crianças na escola, em horas por dia, dias por ano e anos por vida está entre as piores de todo o mundo. Além de que temos, certamente, a maior desigualdade na formação de cada pessoa, conforme a renda de seus pais. Os brasileiros dos 10% mais ricos recebem investimento educacional cerca de 20 vezes maior do que os 10% mais pobres.
Somos a sétima potência, mas temos doenças como a dengue, a malária, a doença de chagas e leishmaniose. Temos 22% de nossa população sem água encanada e mais da metade sem serviço de saneamento. Segundo o IBGE, 43% dos domicílios brasileiros, 25 milhões, não são considerados adequados para moradia; não têm simultaneamente abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.
Esta dicotomia entre uma das economias mais ricas do mundo e um mundo social entre os mais pobres, só se explica porque nosso projeto de nação é sem lógica, sem previsão e sem ética. Sem lógica, porque não percebemos que “país rico é país sem pobreza”, como diz a presidenta Dilma. Sem previsão, por não percebermos a grande, mas atrasada economia que temos, incapaz de seguir em frente na concorrência com a economia do conhecimento que está implantada em países com menor riqueza e mais futuro. E sem ética, porque comemoramos a posição na economia esquecendo as vergonhas que temos no social.


*Cristovam Buarque* *é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF *

terça-feira, 3 de maio de 2011

Toda mulher é mãe!


Mesmo que nunca tenha gerado um filho. Mesmo que nunca venha gerá-lo. Toda mulher é mãe.

Primeiro da boneca. Mais tarde do irmãozinho.

Casada, é mãe do marido, antes de sê-lo dos filhos.

Sem filhos, será mãe adotiva ou madrinha.

Entregará a alguém os benefícios do seu amor. Os sobrinhos, os filhos alheios, talvez uma justa causa.

Joana D´Arc foi mãe de sua causa e por ela morreu queimada, como qualquer mãe morreria por seu filho.

Quantas mulheres, que a vida não escolheu para a maternidade de seus próprios filhos, não se tornaram mães das próprias mães? Quantas? Ou do pai ou do avô.

A maternidade é irreprimível. Como uma fonte de água que uma pedra obstrui, ela vai brotar mais adiante.

A freira é filha de Deus, mas numa repetição perpétua do mistério da Virgem, torna-se mãe de Jesus.

Na guerra, a mulher é mãe dos feridos, mesmo que usem outras bandeiras e vistam outro uniforme.

A maternidade não tem fronteiras, não tem cor, não tem preferências. É das poucas coisas que bastam a si próprias. Tem a sua própria religião. Tem a sua própria ideologia. Causa, origem, começo.

Enfim, toda mulher é mãe.