"A leitura do mundo precede a leitura da palavra." "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem." "Língua Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódias E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade (...)"

domingo, 24 de abril de 2011

Homenagem às Mães

Homenagem às Mães

Semeando Grãos

Cuida-se da semente, observando o solo onde será plantada.

Cuida-se da semente afofando a terra, depositando-a lentamente no chão, como se estivesse depositando ali um tesouro.

Cuida-se da semente, cercando-a de toda a atenção necessária à germinação…

Cuida-se então da plantinha, germinada, para que ao crescer dê flores que encantem aos mais exigentes observadores…

Cuida-se da planta florida, para que seus frutos sejam tenros, saborosos…

Cuida-se ainda, para que o fruto tenha em seu interior a continuidade da vida:

A SEMENTE.

Sejamos pois, sementes, quando queremos perpetuar o que há de melhor em nós.

Sejamos flores, quando e onde estivermos e houver necessidade do perfume do otimismo e do encantamento.

Sejamos frutos quando encontrarmos outro ser humano carente de atenção e carinho, alimentando-o com nossa presença amiga.

Sejamos pois, seres humanos em todos os sentidos para que a nossa simples presença possa brotar em cada aflito a possibilidade de uma saída;

em cada pessimista a esperança adormecida; em cada um o dom de ser a cada dia mais feliz.

Alseni das Chagas Vieira Lima

sábado, 23 de abril de 2011

Feliz Páscoa!



Neste dia de Páscoa, gostaria de desejar a você muita paz e harmonia.
Que você tenha um reencontro consigo mesmo
e que as portas que Ele já abriu conduzam realmente a um caminho de muita luz,
renovação e libertação.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos que ama”(Jo 15, 13)
- disse Jesus.
E Ele assim fez.

sábado, 9 de abril de 2011

Sociedade tem ''estratos'', não ''extratos''



Na língua portuguesa, são relativamente comuns os casos de homônimos. Trata-se de palavras de significados distintos que têm ou a mesma grafia e pronúncias diferentes ou a mesma pronúncia e grafias diferentes – isso sem contar os casos em que a pronúncia e a grafia são idênticas.

Os exemplos falam por si: “Deixou cair a colher”, “Gostava muito de colher as frutas”; “Ouviu o concerto atentamente”, “A televisão precisa de conserto” etc. Claro está que os do segundo tipo (os que envolvem grafias diferentes para uma só pronúncia) são problemáticos para quem escreve. A troca de um termo por outro é mais que um erro de grafia, pois, não raro, produz um disparate semântico.

Abaixo um caso de uso de um termo no lugar de seu homônimo:

''Mas o crack também ganha adeptos em outros extratos sociais.''

“Extrato”, com “x”, é o particípio do verbo “extrair”. Emprega-se, portanto, para aquilo que foi extraído: extrato de uma obra (o mesmo que excerto), extrato de tomate, extrato de conta-corrente etc.

Já o termo “estrato”, com “s”, é um sinônimo de “camada” (é da mesma origem de ''estratosfera'', por exemplo). Era esse o termo adequado no fragmento em questão. Veja, abaixo, a correção:

Mas o crack também ganha adeptos em outros estratos sociais.

Por Thaís Nicoleti

Onde ficam as vírgulas?





Muita gente apela para a intuição na hora de colocar as vírgulas, mas nem sempre os resultados dessa prática são satisfatórios. Há certas regras que, seguidas, facilitam a compreensão do texto.

O aposto explicativo, por exemplo, deve ficar entre vírgulas. Esse tipo de aposto contém uma explicação acerca do termo anterior, ou seja, uma informação de caráter suplementar. Assim: “A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, receberá o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama”. Note que seria possível eliminar os nomes Dilma Rousseff e Barack Obama sem prejuízo do sentido da frase (A presidente do Brasil receberá o presidente dos Estados Unidos), pois eles são meramente explicativos. Esse tipo de elemento fica entre vírgulas.

Veja o que ocorre no fragmento abaixo:

Obama e a família – a primeira-dama Michelle Obama e as filhas Malia e Sasha– estarão em Brasília, no próximo dia 19, e no Rio de Janeiro, dia 20.

Entre travessões está explicado o termo “família” (de Obama). Trata-se, portanto, de um aposto. Até aí, sem problemas. Observe, porém, que, no interior do aposto, há outros apostos. Seria possível dizer apenas

Obama e a família – a primeira-dama e as filhas do casal– estarão em Brasília...

Os nomes das pessoas funcionam como apostos explicativos. Deveriam, portanto, estar entre vírgulas. Assim:

Obama e a família – a primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas, Malia e Sasha– estarão em Brasília...

A vírgula que encerraria o segundo aposto (depois de Sasha) desaparece em virtude da presença do travessão.

O problema de vírgulas do fragmento, no entanto, ainda não está resolvido. Os adjuntos adverbiais de tempo estão desnecessariamente separados por vírgulas. Como estão depois de adjuntos adverbiais de lugar, essas vírgulas são dispensáveis. Assim:

... estarão em Brasília no próximo dia 19 e no Rio de Janeiro no dia 20.

Observe que, quando os adverbiais são da mesma natureza, usam-se as vírgulas. Assim:

Amanhã, às 14h,será realizada a reunião.

Os dois adjuntos adverbiais indicam tempo, o primeiro é mais geral (amanhã), o segundo é mais preciso (às 14h).

Abaixo, o fragmento com as vírgulas recolocadas:

Obama e a família – a primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas do casal, Malia e Sasha – estarão em Brasília no próximo dia 19 e no Rio de Janeiro no dia 20.


Por Thaís Nicoleti


Fieis e fiéis


Muita gente ainda faz confusão na hora de pôr em prática as novas regras de acentuação e hifenização. E quem pensa que o corretor ortográfico dos computadores resolve todos os problemas está sujeito a decepções.

A maioria dos redatores já aprendeu que ideia perdeu o acento, assim como geleia, plateia, estreia, diarreia, cefaleia e tantas outras palavras paroxítonas cuja sílaba tônica é um ditongo aberto.

É bom estar atento à regra: perderam o acento os ditongos abertos tônicos das paroxítonas, isto é, aqueles que aparecem na penúltima sílaba da palavra. É isso o que explica o fato de “heroico” se escrever sem acento e de “herói” manter o acento. “Heroico” é paroxítona, “herói” é oxítona.

Muito bem. O acento do ditongo aberto das oxítonas, bem como o dos monossílabos tônicos (céu, véu, réu), manteve-se. É por isso que continuam acentuadas palavras como lençóis, anzóis, anéis, pastéis, carretéis, papéis, fiéis, tonéis etc.

A confusão, todavia, é frequente, como se vê no trecho abaixo:

“... milicianos ainda fieis a Gbagbo”

Nenhum corretor eletrônico corrige esse erro. Por que será? É preciso observar que a forma “fieis”, sem acento, é uma das conjugações do verbo “fiar” (que vós fieis – presente do subjuntivo, segunda pessoa do plural) – por esse motivo, o corretor eletrônico não avisa quando alguém se esquece de pôr o acento. É preciso, portanto, ficar atento à regra gramatical e não deixar todo o trabalho para a máquina.

A construção correta seria a seguinte:

... milicianos ainda fiéis a Gbagbo

Esse problema ocorre também com “papéis” (substantivo) e “papeis” (verbo “papar”), “pastéis” (substantivo) e “pasteis” (verbo), entre outros casos.

Muita gente ainda faz confusão na hora de pôr em prática as novas regras de acentuação e hifenização. E quem pensa que o corretor ortográfico dos computadores resolve todos os problemas está sujeito a decepções.

A maioria dos redatores já aprendeu que ideia perdeu o acento, assim como geleia, plateia, estreia, diarreia, cefaleia e tantas outras palavras paroxítonas cuja sílaba tônica é um ditongo aberto.

É bom estar atento à regra: perderam o acento os ditongos abertos tônicos das paroxítonas, isto é, aqueles que aparecem na penúltima sílaba da palavra. É isso o que explica o fato de “heroico” se escrever sem acento e de “herói” manter o acento. “Heroico” é paroxítona, “herói” é oxítona.

Muito bem. O acento do ditongo aberto das oxítonas, bem como o dos monossílabos tônicos (céu, véu, réu), manteve-se. É por isso que continuam acentuadas palavras como lençóis, anzóis, anéis, pastéis, carretéis, papéis, fiéis, tonéis etc.

A confusão, todavia, é frequente, como se vê no trecho abaixo:

“... milicianos ainda fieis a Gbagbo”

Nenhum corretor eletrônico corrige esse erro. Por que será? É preciso observar que a forma “fieis”, sem acento, é uma das conjugações do verbo “fiar” (que vós fieis – presente do subjuntivo, segunda pessoa do plural) – por esse motivo, o corretor eletrônico não avisa quando alguém se esquece de pôr o acento. É preciso, portanto, ficar atento à regra gramatical e não deixar todo o trabalho para a máquina.

A construção correta seria a seguinte:

... milicianos ainda fiéis a Gbagbo

Esse problema ocorre também com “papéis” (substantivo) e “papeis” (verbo “papar”), “pastéis” (substantivo) e “pasteis” (verbo), entre outros casos.


Por Thaís Nicoleti

quarta-feira, 6 de abril de 2011


A PRINCÍPIO ou

A FELICIDADE REALISTA


MARTHA MEDEIROS



De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos,sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par e não como pares? Ter um parceiro constante, não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo a expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.



SILÊNCIO


Clarice Lispector

É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembranças de palavras. Se és morte, como te alcançar.

É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível - sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro - tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz.

A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes.

Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.

Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece.

O coração bate ao reconhecê-lo.

Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta - como ardemos por ser chamados a responder - cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga - como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença.

Até que se descobre - nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio.

Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror - o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio.

Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio.

Se não há coragem, que não se entre. Que se espere o resto da escuridão diante do silêncio, só os pés molhados pela espuma de algo que se espraia de dentro de nós. Que se espere. Um insolúvel pelo outro. Um ao lado do outro, duas coisas que não se vêem na escuridão. Que se espere. Não o fim do silêncio mas o auxílio bendito de um terceiro elemento, a luz da aurora.

Depois nunca mais se esquece. Inútil até fugir para outra cidade. Pois quando menos se espera pode-se reconhecê-lo - de repente. Ao atravessar a rua no meio das buzinas dos carros. Entre uma gargalhada fantasmagórica e outra. Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia - ei-lo. E dessa vez ele é fantasma.


Clarice Lispector- "Onde estivestes de noite?"

7ª Ed. - Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro - 1994



AS CRIANÇAS APRENDEM O QUE VIVEM

Se as crianças vivem em meio a críticas, aprenderão a condenar.

Se as crianças vivem em meio à hostilidade, aprenderão a brigar.

Se as crianças vivem sendo ridicularizadas, irão se tornar tímidas.

Se as crianças vivem com vergonha, aprenderão o sentimento de culpa.

Se as crianças vivem onde há incentivo, aprenderão a confiança.

Se as crianças vivem onde ocorre a tolerância, aprenderão a paciência.

Se as crianças vivem onde há elogios, aprenderão a apreciação.

Se as crianças vivem onde há aceitação, aprenderão a amar.

Se as crianças vivem onde há aprovação, aprenderão a gostar de si mesmos

.Se as crianças vivem onde há honestidade, aprenderão a veracidade.

Se as crianças vivem com segurança, aprenderão a crer em si mesmas e naqueles que as rodeiam.

Se as crianças vivem em um ambiente de amizade, aprenderão que o mundo é um lugar bom para se viver.

(Dorothy Law Nolte)

E você? O que está ensinando a seu filho? Vamos refletir?




ANTES QUE ELES CRESÇAM

Affonso Romano de Sant’Anna

Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos.
É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.
Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maneira que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça…
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes e cabelos longos, soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com uniforme de sua geração.
Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas.
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não se repitam.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos filhos.
Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hamburgueres e refrigerantes, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhos.
Sim havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.
Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.
Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas “pestes”.
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.
O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos.
O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.
Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.
Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.




Girassóis e Miosótis

O girassol é flor raçuda,

que enfrenta até a mais violenta intempérie

e acaba sobrevivendo.

Ela quer luz e espaço e em busca desses

objetivos, seu corpo se contorse o dia inteiro.

O girassol aprendeu a viver com o sol

e por isso é forte.

Já o miosótis é plantinha linda,

mas que exige muito mais cuidado.

Gosta mais de estufa.

O girassol se vira… e como se vira!

O miosótis quando se vira, vira errado.

Precisa de atenção redobrada.

Há filhos girassóis e filhos miosótis.

Os primeiros resistem a qualquer crise:

descobrem um jeito de viver bem, sem ajuda.

As mães chegam a reclamar da independência

desses meninos e meninas, tal a sua capacidade

de enfrentar problemas e sair-se bem.

Por outro lado, há filhos e filhas miosótis,

que sempre precisam de atenção.

Todo cuidado é pouco diante deles.

Reagem desmesuradamente, melindram-se,

são mais egoístas que os demais, ou às vezes,

mais generosos e ao mesmo tempo tímidos,

caladões, encurralados.

Eles estão sempre precisando de cuidados.

O papel dos Pais é o mesmo do jardineiro

que sabe das necessidades de cada flor,

incentiva ou poda na hora certa.

De qualquer modo fique atento.

Não abandone demais os seus girassóis

porque eles também precisam de carinho…

e não proteja demais os seus miosótis.

As rédeas permanecem com vocês…

mas também a tesoura e o regador.

Não negue, mas não dêem tudo que querem:

a falta e o excesso de cuidados matam a planta…


* Autoria de José Fernandes de Oliveira

“ Pe. Zezinho"


O nó do afeto - Eloi Zanetti


Era um reunião numa escola. A diretora incentivava os pais a apoiarem as crianças, falando da necessidade da presença deles junto aos filhos. Mesmo sabendo que a maioria dos pais e mães trabalhava fora, ela tinha convicção da necessidade de acharem tempo para seus filhos.

Foi então que um pai, com seu jeito simples, explicou que saía tão cedo de casa, que seu filho ainda dormia e que, quando voltava, o pequeno, cansado, já adormecera. Explicou que não podia deixar de trabalhar tanto assim, pois estava cada vez mais difícil sustentar a família. E contou como isso o deixava angustiado, por praticamente só conviver com o filho nos fins de semana.

O pai, então, falou como tentava redimir-se, indo beijar a criança todas as noites, quando chegava em casa. Contou que a cada beijo, ele dava um pequeno nó no lençol, para que seu filho soubesse que ele estivera ali. Quando acordava, o menino sabia que seu pai o amava e lá estivera. E era o nó o meio de se ligarem um ao outro.

Aquela história emocionou a diretora da escola que, surpresa, verificou ser aquele menino um dos melhores e mais ajustados alunos da classe. E a fez refletir sobre as infinitas maneiras que pais e filhos têm de se comunicarem, de se fazerem presentes nas vidas uns dos outros. O pai encontrou sua forma simples, mas eficiente, de se fazer presente e, o mais importante, de que seu filho acreditasse na sua presença.

Para que a comunicação se instale, é preciso que os filhos ‘ouçam’ o coração dos pais ou responsáveis, pois os sentimentos falam mais alto do que as palavras. É por essa razão que um beijo, um abraço, um carinho, revestidos de puro afeto, curam até dor de cabeça, arranhão, ciúme do irmão, medo do escuro, etc.

Uma criança pode não entender certas palavras, mas sabe registrar e gravar um gesto de amor, mesmo que este seja um simples nó.

E você? Tem dado um nó no lençol do seu filho?


Pensamentos de Pitágoras


Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.

A vida é como uma sala de espectáculos; entra-se, vê-se e sai-se.

Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.

Ajuda o teu semelhante a levantar a carga, mas não a levá-la.

Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio.

Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te.

Pensem o que quiserem de ti; faz aquilo que te parece justo.

Não é livre quem não obteve domínio sobre si.

Observa o teu culto a família e cumpre teus deveres para com teu pai, tua mãe e todos os teus parentes. Educa as crianças e não precisarás castigar os homens.

Deus é uno. Ele não está jamais, como pesam alguns, fora do mundo, mas sim totalmente no mundo inteiro. Deus está no Universo e o Universo está em Deus. O Mundo e Deus não são mais que uma unidade.

A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus.

A prudência é o olho de todas as virtudes.

Todas as coisas são números.