"A leitura do mundo precede a leitura da palavra." "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem." "Língua Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódias E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade (...)"

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Naturalismo - O "romance de tese"

O naturalismo desenvolveu-se paralelamente ao movimento realista.
Influenciado pelo desenvolvimento das ideias científicas na época, especialmente na área das ciências biológicas e sociais, o Naturalismo tentava explicar de forma materialista ou científica os fenômenos da vida e do comportamento humano.

Em outras palavras, buscava as explicações dos fatos sociais e pessoais, por meio do determinismo, das relações de causa e efeito das ciências. Acreditava-se que os acontecimentos e atitudes eram decorrentes ou condicionados pelo meio físico, pelas circunstâncias vividas ou pela etnia, segundo as ideias do filósofo francês Hypolite Taine.

Romances de tese

Isso fica claro em romances e contos, nos quais as personagens são o resultado da sua descendência e das condições em que vivem. Condicionadas pela situação, seu livre arbítrio inexiste e não lhes resta a menor chance de evoluírem por si mesmas.

As obras naturalistas são também chamadas de romances de tese: apresentam um ponto de vista e tentam demonstrá-lo através dos fatos narrados. Em geral, focalizam o lado patológico dos indivíduos ou da sociedade, ou seja, as piores situações sociais, como: traição, atentado ao pudor, exploração sexual etc.

Em seguida, procuram os motivos de tais problemas, encontrando-os na etnia, nos costumes, no ambiente social, no temperamento, na falta de valores morais e na libertinagem. Enfim, dissecavam as taras humanas, vistas como consequências da hereditariedade, de doenças, vícios, má formação do caráter e das relações sociais.

Descrição e distanciamento

As cenas, narradas com tantos detalhes, em descrições caudalosas, são verdadeiros retratos ou quadros da situação. Os personagens que a protagonizam são muito mais estereótipos do que seres humanos.

Os autores procuram assumir a postura de cientistas que observam experimentos. Tentam ser o mais objetivos possíveis, demonstrando distanciamento e impessoalidade no trato dos fatos do romance, como se estivessem num laboratório, diante de cobaias.

Os autores brasileiros estavam influenciados pelo português Eça de Queirós e pela produção francesa - mais especificamente pelos romances de Émile Zola, como "Thérèse Raquin" (1867), que introduziu o Naturalismo literário em seu país.

Zola, por sua vez, tinha suas ideias moldadas no evolucionismo de Darwin e no positivismo religioso de Comte, os principais responsáveis pelos estudos e pesquisas que deram fôlego e material de trabalho à literatura.

Autores brasileiros

Os que mais se destacam neste universo fatalista são: Inglês de Sousa, com "O Missionário" (1888); Domingos Olímpio, com "Luzia-Homem" (1903); Adolfo Caminha, com "O Bom Crioulo" (1895); Júlio Ribeiro, "A Carne" (1888) e, principalmente, Aluísio Azevedo, com sua obra prima, "O Cortiço" (1890).

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